Como o tempo estava um "chove não molha", decidimos montar nossa base dentro do carro mesmo.
Com os setup's em mãos, fomos organizando o local para dar início às gravações. Contamos com a ajuda de pessoas de fora do grupo, como o câmera da UNSIC TV, Luís, com a captura de som direto, contamos com o Júlio, do lab de rádio da UNISC e para capturar aquelas poses, contamos com uma colega de curso, a Amanda Mendonça.
Enquanto preparávamos o set em uma ponta, na outra as meninas trabalhavam para deixar tudo bem limpinho... sim, limpinho, pois as vacas que habitam naquele local não são muito caprichosas.

Todo processo de construção do curta-metragem Eleonor & Flávio só foi possível pela competência das pessoas. Trabalho acadêmico em grupo é sempre bastante complicado, mas em anos de estudos nessa universidade, tenho a certeza de que cada um fez o seu papel e foi, acima de tudo, peça fundamental para essa obra.

Durante a gravação enfrentamos muitos problemas, como chuva, sol forte (sim, paramos muitas vezes a gravação para que o sol voltasse para de trás das nuvens), barulho de caminhão na rodovia, buzina, fogos de artifício, tratores, motoserra, avião, vacas mugindo... de tudo. Parecia que, por momentos, nada iria para frente, como aconteceu no primeiro dia de gravação. Choramos, entristecemos, desanimamos, cansamos...

Pensamos em desistir, reprovar, ir para exame, largar tudo de mão. Pensamos em trocar de set, história, personagens, mundo, curso... Mas sempre, sempre tinha alguém que reanimava o grupo, que tocava o barco... Sempre tinha quem levantasse e dissesse: "VAMOS LÁ, É NOSSA VEZ DE MOSTRAR NOSSO POTENCIAL!". Ou que simplesmente dissesse: "VAMOS LÁ PORQUE EU QUERO IR EMBORA, TÔ CANSADO. ÂNIMO PESSOAL.".

Com um pouco de surto, de gritos e até de momentos Amy Winehouse, a maquiadora "pintou" os atores, as figurinistas "montaram" as personagens, as meninas da produção arrumaram a locação, eu e o pessoal da fotografia organizamos o que mais precisava, fizemos as adaptações nas falas por causa da chuva e.... AÇÃO.

A tarefa de produzir um audiovisual não é simples, não é fácil, mas é boa. Mesmo assim, é importante planejar, discutir idéias, pesquisar, analizar, refazer, passar horas desenhando, pensando, imaginando....
Eleonor & Flávio saiu com muita dificuldade... Foi o primeiro trabalho desse tipo de todos integrantes do grupo. Um grupo composto por poucas pessoas com experiência em outros trabalhos audiovisuais, (programas de TV, documentários...).
Escrevendo esse texto, relembro todas as vezes que o professor chamou a minha atenção para o storyboard, para o planejamento dos planos. Ao editar esse material, vejo que era preciso mais dedicação a essas questões. Esses cuidados evitam confusões na hora de gravar, correria e outros possíveis problemas, ainda que a nossa gravação tenha sido bem calma, pois havia uma boa preparação.

Em meio as gravações, por vezes, é preciso parar e pensar o que pode não estar se encaixando. O que pode estar faltando, ou, muitas vezes, sobrando...
Que bom que as diretoras de produção, arte e fotografia estavam sempre juntas de mim opinando, criticando, querendo mudar. Que bom que contamos com um grupo unido, que a troca de e-mails funcionou e que as distâncias não nos impediram de produzir esse material.
Para finalizar, muitas pessoas acompanharam nosso trabalho, nos ajudaram. Penso que eu poderia ter dado mais pelo meu grupo. Pelo meu filme. "Meu" com sentido coletivo, pois um filme nunca é de uma pessoa só. Ao Jair, pelo olhar atento, pelas dicas, críticas, reclamações (as vezes em excesso e desanimadoras); à Amandinha, pela maior dedicação que eu já vi uma pessoa dar à um trabalho acadêmico; à Nândria, pelo empenho em analisar a luz, a atuação e os enquadramentos e ao seu pai, pela caminhonete; ao Alessandro, pela atenção à composição dos planos, pelos movimentos de câmera e pela personagem do homem magro, que não apareceu, mas ficou na memória; à Júlia, pelos belíssimos materiais de divulgação e excelente direção de arte; à Marcinha, pelo imenso esforço na continuidade e no apoio à Júlia; à Bruna, à Anne e à Helo, por serem essas meninas que nunca estavam satisfeitas com o que estavam fazendo, sempre queriam mais e melhor (haja vacas para sujar a locação, hien?!); ao Júlio pela captação e edição de áudio e, também, ao seu pai, pela locação e pela ovelha carneada; ao Luís pelo profissionalismo; ao Bruno, ao Lucas da Amanda e ao Henrique, pela bela trilha; ao Pablo pelas dicas de after; à Ângela pela paciência e pela caminhonete do curso; ao Daniel, pelo esforço, dedicação e atuação; ao Sancler, pela assistência sem igual; à Amandona, pelas perfeitas fotos; aos namorados das meninas e aos nossos pais, que nos aguentaram com dias de mau humor, roupas sujas e dores de barriga; a todos, o meu MUITO OBRIGADO.

Em meio a pitangas, chimarrão, dúvidas, olhares... com problemas de continuidade, falta de maior planejamento na direção, dificuldades de edição, contratempos com clima, dificuldades financeiras, atingimos nosso objetivo... roteirizar, produzir, editar e finalizar um curta-metragem. O Eleonor & Flávio. Um simples devaneio poético.

Maurício Schneider